26 de Março

Um ano e tudo o que resta são cartas rasgadas, espalhadas pelo chão, fotografias queimadas à pressa, momentos apagados ao nível dos olhos mas sempre presentes na memória. Um ano, um ano e parece que sinto o mesmo daquela noite; raiva, angustia, tristeza, vazio… estava tão furiosa contigo… Se depois tudo o que eu tinha medo era real e só eu não era capaz de o ver. Prefiro continuar a acreditar que não eras capaz de fingir uma história como era a nossa. Não se fingem sentimentos ou fingem? Não, não eras capaz de o fazer… prefiro continuar a pensar que os nossos momentos tiveram a intensidade que lhes demos, que os nossos beijos foram carregados de sentimentos, que os nossos silêncios foram tão carregados de palavras que ensurdeciam… prefiro continuar a acreditar que foste real, o meu sonho de vida que por uma eventualidade triste acabou. Sei que nem devia estar a escrever isto… que não devia sequer importar-me com a data de hoje mas a verdade é que importo, porque aconteceu. E, como tu disseste “foi uma relação verdadeira, intensa, especial, onde partilhámos muitas coisas, boas e más… Uma relação que nunca esquecerei, porque apesar de ter acabado marcou pelas coisas boas… No entanto nem tudo correu bem, mas nem por isso tenho de olhar para traz com ódio, mas olho para traz com um sorriso, porque sinto que valeu a pena… E para ser bom não precisa de ser para sempre…” Ao inicio não entendi a verdadeira essência destas palavras, pensei que estivesses só a dizer aquilo que eu, dentro dos possíveis, queria ouvir. Depois deste ano que passou, chego a conclusão que tens razão e, apesar destas ultimas palavras me terem doído tanto ou mais que todas as discussões, que não há nenhuma razão para que tenha de me sentir arrependida, ou com raiva de ti e do que, de certa forma, me fizeste sentir por ti. Porque acima de tudo, sinto (para alem de acreditar) que nada do que vivemos foi fingido. Porque nós partilhamos tudo, risos, choros, momentos, silêncios, olhares, conversas ao telefone até eu adormecer e te deixar a falar sozinho, dias importantes, dias muito maus (principalmente para ti). Conversámos sempre sobre tudo e sabíamos que antes de sermos cúmplices éramos amigos, bons amigos, que confiávamos um no outro. E por isso não me arrependo de nada do que fiz e fizemos… Porque “para ser bom, não tem de ser para sempre” Não sei aquilo que me reserva o amanhã, mas sei que tu desapareceste para sempre, não importa quem vier a entrar na minha vida. Obrigada por teres aparecido na minha vida e teres-me dado alegria, obrigada por me teres amado e recebido o meu amor em troca. Obrigada pelas recordações que estimarei para sempre. Mas mais do que tudo, obrigada por me teres mostrado que chegará uma altura em que eu poderei finalmente deixar-te partir.

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