força...

Senti-me como se estivesse aprisionada num daqueles pesadelos aterradores, nos quais temos de correr, correr até os pulmões rebentarem, mas não conseguimos fazer o nosso corpo deslocar-se com velocidade suficiente… no entanto, não parecia tratar-se de um sonho e, ao contrário do que normalmente acontece, eu não corria para salvar a minha vida, corria para salvar algo infinitamente mais precioso. A minha vida pouca importância tinha naquele dia.
Esforçava-me para sair daquela praça cheia de gente, todos de olhos postos em mim, no entanto os meus pés não correspondiam ao meu apelo e não se moveram um centímetro. Não conseguia ver muita coisa, era muita gente mas por momentos tive a sensação de que os olhares não estavam postos só em mim. Retraí-me quando os olhos pousaram de novo em mim. Foi então que vi alguém aproximar-se. Talvez fosse alguém que me quisesse ver mais de perto ou comentar algo que estava a fazer. Quando os meus olhos se levantaram para fitar a pessoa que se tinha aproximado, sentia o sangue a correr veloz nas veias e a aflorar-me à cara. Fazendo-me corar. Os nossos olhares cruzaram-se e senti que tudo o que tinha acontecido se desvanecera, que todos os olhares daquela multidão não se concentravam mais em mim, embora continuassem pregados a nós. Ele arqueou a sobrancelha perfeita quando me viu no chão, caída naquela multidão. – Precisas de ajudar para sair daqui?
Não soube o que dizer, estava absolutamente fascinada com o que via. Continuava a aproximar-se graciosamente de mim, com aquele sorriso lindíssimo na sua face angelical, como se mais ninguém estivesse presente. Alcançou-me, envolveu-me pela cintura; senti o pânico a percorrer o meu corpo. Lá estava ele, dolorosamente belo, a envolver-me. Senti os olhares da praça fuzilarem-me com mais intensidade. Continuei sem conseguir dizer nada e ele começou a arrastar-me pela praça, sustentando o meu corpo como se nada fosse. – Vamos sair daqui. – Anunciou. A sua voz era uma melodia harmoniosa que ecoava nos meus ouvidos.
- Espera! – Disse-lhe abruptamente. – Estão todos a olhar-nos! Pára! Não te aproximes de mim. A minha voz não passou de um guincho. Debati-me inutilmente contra os seus braços.
- Tem calma! Vamos sair daqui… ser felizes…juntos
- NÃO! Não faz sentido! Não podemos! Oh só posso estar a sonhar. Liberta-me por favor…
- Vou provar-te que não estas a sonhar – segurou ou meu rosto com firmeza, ignorando a minha resistência.
- Não, por favor! Não faças iss… - antes que conseguisse acabar a minha frase, a sua boca uniu-se à minha e não consegui resistir-lhe. Correspondi ao seu beijo. Senti-me livre. Não me olhava ninguém ou se olhava, não reparei.
Era verdade. Ele estava ali, com os braços a envolverem-me. Seria capaz de tudo enquanto aquilo fosse verdade, enquanto pertencêssemos um ao outro, eu seria forte… e muito, muito feliz…

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