Qualquer dia fujo. Para longe daqui, para que não me consigas ver nunca mais, para eu nao te conseguir ver nunca mais. Fujo por uma estrada deserta, uma estrada que nao tenha fim, e espero que pelo caminho, sol seja a minha companhia e me faça ver o quanto fui infantil ao deixar que tomasses conta de mim desta maneira.
Fujo para nao ter de fingir que está tudo bem, como todos esperam que faça; para nao ter de te sorrir convenientemente só para não dar a entender que estou a ser dilacerada.
Fujo para não ser aquilo que querem que seja, mas aquilo que eu preciso de ser para ser sincera comigo e com os outros.
A verdade é sou uma fugitiva, sempre fui. Fugi das coisas mas elas sempre me apanharam. Talvez não tenha sido suficientemente rápida ou simplesmente não aceitei que há sempre algo ou alguém que me prende, uma estrada que tem fim, que há sempre chuva no caminho, que sou uma caminhante desprevenida e nao soube ver que os ventos do destinho sopram quando menos esperamos e que nem sempre sopram com a força se um furacão, são penas brisas que mal sentimos no rosto.
os ventos não podem ser negados, trazendo como muitas vezes trazem um futuro impossível de ignorar. Tu és o vento que eu não antecipei, a rajada que soprou com mais força do que eu alguma vez imaginaria possível.
Tal como um viajante que olha apenas para trás numa viagem através do país, eu ignorei o que estava à minha frente. Perdi a beleza de um nascer do sol que estava para vir, o encanto da antecipação que faz a vida valer a pena.
e por isso eu fujo, para não ter de ver o sol ser encoberto pelas nuvens e se ponha mais cedo que o habitual...


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