Obrigada por voltares ao local de onde nunca deverias ter saído
Dear Diary...
Quando começo agora a escrever (são precisamente 23h22) há tanta coisa que preciso de exteriorizar que me é quase impossível continuar. Mas sei que tenho de o fazer, por uma questão de consciência; não consigo expor verbalmente e é nestas alturas que agradeço o facto de ter sempre um caderno e uma caneta por perto.
Como é que se reage quando nos dizem que estamos a morrer? O que é suposto fazermos depois disto? Mais, o que é suposto pensar ou dizer disto quando temos apenas 17 anos?
Uma vida pela frente, projetos, sonhos, medos, objetivos, desejos, falamos do futuro como se tivéssemos noção dele mas como é quando nos tiram o chão debaixo dos pés?
Fazer o curso, trabalhar, constitui família, filhos, netos (e para os resistente), bisnetos, ter um local a que possamos chamar lar, ver novos seres crescerem diante dos nossos olhos, vê-los andar, cair, levantarem-se, saírem por fim de casa para também eles cumprirem sonhos e objetivos. Sentarmo-nos na varanda, numa cadeira de baloiço, embrulhados a uma manta, com uma chávena de chá ao lado, observando calmamente o sol desaparecer atrás dos pinheiros altos e a Lua a fazer a sua ascensão, e pensando que nada pode ser mais perfeito que uma vida realizada em pleno.
Mas como é suposto pensar quando aos 17 anos nos dizem que nem ate aos 18 viveremos? Perguntas difíceis, irreais, inconcebíveis…
Como é então suposto reagirem as pessoas à nossa volta? O que é suposto fazerem quando nos vêm definhar, sucumbir ao nosso próprio corpo? Ver-nos progressivamente emagrecer, fraquejar…. O que é suposto fazerem perante a sensação de pânico de nos verem adormecer sabendo que podemos não voltar a acordar? Como reagir quando coisas simples como sorrir e falar se tornam verdadeiras maratonas para os nossos músculos?
“é assim que ela avança. Sentimo-nos bem e depois, quando o nosso corpo esta cansado de lutar, começamos a sentir-nos mal”. E é aqui que o mundo desaba sobre nós. Como ver a água nas mão fechadas em concha. Sabemos que inevitavelmente ela vai escapar por entre os dedos. Como tentar parar um rio; é totalmente impossível impedi-lo de chegar ao oceano.
A vida é isto: a água e o rio. Inevitavelmente escapa-nos entre os dedos para seguir o seu curso normal. E ignorar isso é o mesmo que andar a passear com um chapéu-de-chuva num dia de tempestade~: podemos impedir que a chuva molhe a cabeça e as costas mas os pés ficarão sempre molhados. É um facto, tentar contorná-lo é pura perda de tempo…
Agora, quase meia hora depois de ter pegado na caneta e começado a esboçar as primeiras letras (são agora 00h) e muitas lágrimas depois e a bateria do mp4 totalmente descarregada, os olhos inchados e a respiração obstruída, mas calma dou conta que (e apesar de ser conversa de moralista) a vida é, como diria Ricardo Reis numa qualquer das suas Odes “efémera”, tão curta; tenho de concordar que não se pode deixar nada por fazer, nenhum abraço por dar, nenhum “gosto de ti” por dizer, porque amanha podem já não estar la para nos ouvir…por isso Carpe Diem, e como diria esse grande senhor “façam o favor de ser felizes”
Como é que se reage quando nos dizem que estamos a morrer? O que é suposto fazermos depois disto? Mais, o que é suposto pensar ou dizer disto quando temos apenas 17 anos?
Uma vida pela frente, projetos, sonhos, medos, objetivos, desejos, falamos do futuro como se tivéssemos noção dele mas como é quando nos tiram o chão debaixo dos pés?
Fazer o curso, trabalhar, constitui família, filhos, netos (e para os resistente), bisnetos, ter um local a que possamos chamar lar, ver novos seres crescerem diante dos nossos olhos, vê-los andar, cair, levantarem-se, saírem por fim de casa para também eles cumprirem sonhos e objetivos. Sentarmo-nos na varanda, numa cadeira de baloiço, embrulhados a uma manta, com uma chávena de chá ao lado, observando calmamente o sol desaparecer atrás dos pinheiros altos e a Lua a fazer a sua ascensão, e pensando que nada pode ser mais perfeito que uma vida realizada em pleno.
Mas como é suposto pensar quando aos 17 anos nos dizem que nem ate aos 18 viveremos? Perguntas difíceis, irreais, inconcebíveis…
Como é então suposto reagirem as pessoas à nossa volta? O que é suposto fazerem quando nos vêm definhar, sucumbir ao nosso próprio corpo? Ver-nos progressivamente emagrecer, fraquejar…. O que é suposto fazerem perante a sensação de pânico de nos verem adormecer sabendo que podemos não voltar a acordar? Como reagir quando coisas simples como sorrir e falar se tornam verdadeiras maratonas para os nossos músculos?
“é assim que ela avança. Sentimo-nos bem e depois, quando o nosso corpo esta cansado de lutar, começamos a sentir-nos mal”. E é aqui que o mundo desaba sobre nós. Como ver a água nas mão fechadas em concha. Sabemos que inevitavelmente ela vai escapar por entre os dedos. Como tentar parar um rio; é totalmente impossível impedi-lo de chegar ao oceano.
A vida é isto: a água e o rio. Inevitavelmente escapa-nos entre os dedos para seguir o seu curso normal. E ignorar isso é o mesmo que andar a passear com um chapéu-de-chuva num dia de tempestade~: podemos impedir que a chuva molhe a cabeça e as costas mas os pés ficarão sempre molhados. É um facto, tentar contorná-lo é pura perda de tempo…
Agora, quase meia hora depois de ter pegado na caneta e começado a esboçar as primeiras letras (são agora 00h) e muitas lágrimas depois e a bateria do mp4 totalmente descarregada, os olhos inchados e a respiração obstruída, mas calma dou conta que (e apesar de ser conversa de moralista) a vida é, como diria Ricardo Reis numa qualquer das suas Odes “efémera”, tão curta; tenho de concordar que não se pode deixar nada por fazer, nenhum abraço por dar, nenhum “gosto de ti” por dizer, porque amanha podem já não estar la para nos ouvir…por isso Carpe Diem, e como diria esse grande senhor “façam o favor de ser felizes”
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